A corrida aos armamentos é o prenúncio da guerra

Mas, ao mesmo tempo que o Papa se dirige à boa vontade dos capitalistas, bradando: “Em nome de Deus, parem!”, a Europa rearma-se: Alemanha vai aumentar em mais 100 mil milhões de euros o orçamento da dita "Defesa", ultrapassando os 2% do PIB; Josep Borrell anuncia “mais 500 milhões de euros de contribuição para o apoio militar à Ucrânia”, através do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (?!), verba que poderá duplicar. E todos os restantes países da União Europeia irão seguir o mesmo caminho, incluindo o país pelintra e lacaio, que parece se ter esquecido da Guerra Colonial que esgotou o país em recursos financeiros e principalmente humanos, que é Portugal. Não é só a Ucrânia que está a ser usada como agente de provocação, mas toda a União Europeia que tem mais a perder do que a ganhar com esta guerra, e, dentro da União Europeia, Portugal é o país que menos tem a lucrar devido à situação de dependência económica crónica. Com as sanções impostas à Rússia, não será somente o povo russo a sofrer, nós portugueses iremos sofrer muito mais, bem como os povos da Europa ocidental. Ainda mais grave: todos estaremos no mesmo barco e dentro da mesma tormenta, porque a guerra irá continuar, mesmo que haja transitoriamente uma solução de compromisso para esta guerra. Os factores principais da guerra inter-imperialista manter-se-ão.
A guerra é inevitável, e não somos profetas da desgraça, basta olhar um pouco para trás, para a História da Europa nos últimos duzentos e cinquenta anos. E os principais representantes do grande capital financeiro sabem bem que as coisas não são favoráveis para o capitalismo ocidental: “A destruição da nossa civilização” só será evitada se Putin e Xi Jinping forem derrubados do poder, diz o especulador Soros. E di-lo porque sabe que esta guerra é uma guerra de vida ou de morte, não há aqui meias tintas ou terceiras vias. O capitalismo encontra-se num estertor de morte e o Império ao cair vai querer levar alguém atrás, se olharmos para a História foi sempre assim. A China e Rússia serão elo mais forte do capitalismo na fase actual, mas mesmo que saiam vencedores desta guerra, o capitalismo sairá ainda mais explorador e opressor, usando técnicas mais sofisticadas devido ao desenvolvimento da electrónica, da inteligência artificial, da biotecnologia, da psicologia de massas. No entanto, a guerra emancipatória dos trabalhadores e de libertação dos povos será de igual modo inevitável, excepto se na próxima guerra mundial, que será nuclear, a humanidade desapareça de vez. Uma hipótese que estará sempre presente.